Ensaio sobre um despertar

A luz embrenha-se pelo meu quarto mesmo com portas e janelas fechadas, ilumina os poucos móveis, a parede pálida e o mural com fotos antigas de amigos cuja existência eu já não alcanço, penetra por entre as minhas pálpebras e me força a mudar de posição na cama para esconder-me de seu incômodo abaixo do cobertor negro com escritas orientais em branco e vermelho de origem tão desconhecida quanto seus significados – contudo, gosto de imaginar que são palavras desconexas, sem nenhuma harmonia entre si traduzindo um sentido necessário, na hora certa. Penso que as palavras deveriam ser empregadas de tal modo. Não como de costume, jogadas ao vento, gastas o tempo todo. Destarte, Isto é um desperdício!
Enquanto o mundo gira lá fora, com pessoas vomitando seus verbos desnecessários e agindo de forma estúpida, me resumo em apenas dar um bocejo longo e preguiçoso como se não houvesse espaço no Universo para mais uma ação e, de fato, não há!
Já era 12:30h quando pude ouvir uma canção familiar que originava de um aparelho branco e achatado sibilando em algum canto do quarto. A música dizia algo como: “Well, sometimes I go out by myself and I look across the water…”

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Sobre Joe

Escritor e poeta amador, aluno de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, amante de música alternativa, quadrinhos e literatura em geral. Ver todos os artigos de Joe

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