Estrela do Abismo

Imagem

A minha visão era abstrata e embaciada por algumas lágrimas que se recusavam a ruir, distorcendo um mundo aparentemente habitual, encaixado, como peças de um Lego colorido. Deveras, toda acepção escarnecedora descende da falta. No peito, o ar reluta o máximo para se manter estável. Essa lástima agonizante demuda meus pensamentos em casu marzu de incertezas. Agora, é como se faltasse uma estrela no abismo, que é o firmamento.  É como se a constelação de Gemini  devolvesse Castor ao Olimpo e como se a minha imortalidade perdesse o vigor ou a minha cota de vidas tivesse expirado. Essa é a minha última alma, que dedico aos corações de portas e janelas cerradas pela ferrugem do templo, originada no tempo, na dor e no cansaço. Ela se livrou do peso que era carregar um mundo nas costas e partiu em direção ao infinito, como uma estrela cadente que desaparece em chamas no ar, fazendo qualquer mortal sentir-se pequeno ante sua majestade e fulgor.

Anúncios

Sobre Joe

Escritor e poeta amador, aluno de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, amante de música alternativa, quadrinhos e literatura em geral. Ver todos os artigos de Joe

Uma resposta para “Estrela do Abismo

  • Lilian

    Amigo nem sei o que dizer ao ler palavras tão lindas penas recorrer ao meu autor favorito Fernado pessoa poema “Amizade” de diz assim:”Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril”
    Fernando Pessoa bju Te amodoro!!!!!!!!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: