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~ Die Reise.

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Segue os passos indolentes de um vassalo que rasteja arduamente em seu legado, praguejando algo em sigilo. – Pérfido destino! Enquanto sua própria dor atina. Segue em direção à rua calçada com pedras retangulares cheias de musgos e Ipês floridos à sua beirada, se recordando das palmas estendidas, da face levemente ruborizada e dos beijos inacabáveis… À espreita estava Ela, devorando a noite sombria. Era confidente e guardiã, nas demasiadas horas da primavera. Sua única testemunha incumbida. Acima das nuvens ensanguentadas de Akatsuki, observara.

Repentinamente, algo o acomete, como uma epifania. Estava aprisionado, novamente, em um de seus próprios aforismos. Divagando entre os fatos coagidos e seu mundinho extraordinariamente ilusório. Era como se a utopia fosse realidade e a realidade, utopia. E sob o efeito do clarão de uma ideia, voltou-se para si, por autocompaixão e senso de coesão instantâneo. Meramente, haveria tido sorte. Após recuperar a visão, vagava a centímetros de distância de um veículo célere e descontrolado, percebera. Azarão! Fora o que, de fato, pensara…

Quanto tempo se leva para ir até a Lua e voltar? Refletiu.  Por dias, voltou-se para dentro de si, encerrou as coisas pela metade e recusou-se a dormir. Jah! Passo horas despertado,  arruinando as fortalezas de minha própria destreza com abuso de paixões, devaneios, cigarro e as mentiras de sempre. Percebeu com certo horror espasmódico. E ainda assim, é mais comovente do que aquela velha clinomania estagn… Antes que pudesse concluir, sua língua se movera lentamente enquanto a boca se abria, absorvendo ar suficiente para dar impulso às cordas vocais que, vibrando, se tornaram verborragicamente lacônicas. Apavorado, o vassalo sibilava a resposta por entre os dentes. – Segundos.

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Falecimento Crônico

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… É que eu preciso de silêncio o bastante

Para ouvir meus próprios pensamentos…


Leidenschaft

Leidenschaft - Poemas de paixão - Poemas e Frases - Luso-Poemas

…Vestígios de mãos gélidas, batimentos cardíacos acelerados e pernas, que não se sustentam, trêmulas. O mundo girando à minha volta e eu, em devaneio, colhendo as penas de tuas asas, inspirando o ar que tu expiraste e memorizando a cena de tua passagem. Quando dei por mim, já não era mais eu, já não cabia mais em mim, já não mais sabia amar esporadicamente. Soube que já era paixão, antes mesmo de ser, ao revelar-se uma lágrima de pavor e de saudade. Meus dias se desbotam em tom de cinza e eu absorvo as cores de dentro dos teus olhos para manter a esperança de dias melhores. Alado, prezado, de fato, és meu anjo protetor e conselheiro, meu acaso! E eu sou apenas uma vítima inócua, que se esvanece lentamente, atraído pela luz que vem de você…


Estrela do Abismo

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A minha visão era abstrata e embaciada por algumas lágrimas que se recusavam a ruir, distorcendo um mundo aparentemente habitual, encaixado, como peças de um Lego colorido. Deveras, toda acepção escarnecedora descende da falta. No peito, o ar reluta o máximo para se manter estável. Essa lástima agonizante demuda meus pensamentos em casu marzu de incertezas. Agora, é como se faltasse uma estrela no abismo, que é o firmamento.  É como se a constelação de Gemini  devolvesse Castor ao Olimpo e como se a minha imortalidade perdesse o vigor ou a minha cota de vidas tivesse expirado. Essa é a minha última alma, que dedico aos corações de portas e janelas cerradas pela ferrugem do templo, originada no tempo, na dor e no cansaço. Ela se livrou do peso que era carregar um mundo nas costas e partiu em direção ao infinito, como uma estrela cadente que desaparece em chamas no ar, fazendo qualquer mortal sentir-se pequeno ante sua majestade e fulgor.


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Quando nada acontece à minha volta,
Coisas acontecem dentro de mim.


Ensaio sobre um despertar

A luz embrenha-se pelo meu quarto mesmo com portas e janelas fechadas, ilumina os poucos móveis, a parede pálida e o mural com fotos antigas de amigos cuja existência eu já não alcanço, penetra por entre as minhas pálpebras e me força a mudar de posição na cama para esconder-me de seu incômodo abaixo do cobertor negro com escritas orientais em branco e vermelho de origem tão desconhecida quanto seus significados – contudo, gosto de imaginar que são palavras desconexas, sem nenhuma harmonia entre si traduzindo um sentido necessário, na hora certa. Penso que as palavras deveriam ser empregadas de tal modo. Não como de costume, jogadas ao vento, gastas o tempo todo. Destarte, Isto é um desperdício!
Enquanto o mundo gira lá fora, com pessoas vomitando seus verbos desnecessários e agindo de forma estúpida, me resumo em apenas dar um bocejo longo e preguiçoso como se não houvesse espaço no Universo para mais uma ação e, de fato, não há!
Já era 12:30h quando pude ouvir uma canção familiar que originava de um aparelho branco e achatado sibilando em algum canto do quarto. A música dizia algo como: “Well, sometimes I go out by myself and I look across the water…”


PARANOIA

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Toma conta de mim, que eu tomo conta do mundo.